03/11/2012

Cultura de Massas nos Regimes Autoritários / Totalitários

FÓRUM: Comente, em uma lauda, a importância da cultura de massa e das novas vias de comunicação públicas (como o cinema e o rádio) para a legitimação dos regimes autoritários europeus e brasileiros.



“(...) E mais fácil governar uma nação, onde os “cidadãos” são obedientes e fanáticos, do que cidadãos livres e democráticos (...)[1]

Ao aprofundar nossos estudos, e ao ler o artigo “Cinema e propaganda política no totalitarismo e na democracia: tempo de Hitler e Roosevelt (1933:1945)[2]”, descobrimos que os regimes totalitários, ou seja, “ditaduras” se acederam pelo planeta Terra, no desenrolar do século XX, e no limiar do século XXI, ainda se faz presente como sistema político e forma de governo adotado principalmente nos países do oriente Médio.
Para alcançar o poder; e conquistar o apreço e admiração do povo (massas) governos totalitários da Europa, do Oriente Médio, da América (Central, do Norte e do Sul) e inclusive do Brasil; utilizaram o cinema, o rádio e a televisão para disseminar e legitimar suas ideologias políticas, administrativas, econômicas, sociais, educacionais e culturais com o objetivo de “seduzir”, “controlar”, “dominar”, “alienar”, “hipnotizar” as massas populares em seu favor e conquistar os indivíduos emocionalmente e psicologicamente. Após a ascensão e consolidação dos regimes totalitários e sua manipulação dos meios de comunicação de massas, a censura foi instituída oficialmente, através da “força” simbólica e física e as informações que chegaram até o ouvinte e o telespectador era a favor do governo e do Estado e contra toda atividade espontânea, democrática, liberal ou contrária a ideologia oficial.
Vale mencionar que, no Brasil, no período da ditadura militar (1964-1985), a censura imposta pelos militares, sobretudo após o Ato Institucional – AI 5, censurou os meios de comunicação e várias canções foram consideradas não aptas à execução e proibida de ser gravada entre elas Alegria, alegria, de Caetano Veloso; Cálice de Chico Buarque e Gilberto Gil, Pra não dizer que não falei das flores (também conhecida como "Caminhando") de Geraldo Vandré, Sociedade Alternativa de Raul Seixas, Como Eu Quero de Paula Toller e Leoni, Tortura de Amor de Waldick Soriano, etc. Uma variedade de programas televisivos foram banidos e proibidos para exibição como, por exemplo, a primeira versão da novela Roque Santeiro de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, Irmãos Coragem de Janete Clair, Saramandaia de Dias Gomes, Despedida de Casado de Walter George Durst, o programa A Discoteca do Chacrinha, o programa da Hebe Camargo.
Nazismo alemão, fascismo italiano, franquismo espanhol, stalinismo soviético, militarismo brasileiro foram audaciosos ao perceberem que poderiam utilizar esse meio de entretenimento como um recurso de divulgação de suas propagandas políticas; haja vista que seu foco principal não era de transmitir alegria, lazer, conhecimento e cultura as massas, mas sim fiscalizar suas vidas do nascimento até a morte e impor e preservar comportamentos, conceitos e valores (morais, sociais, religiosos).

“(...) O nazismo marcou o final das estéticas expressionistas e das vanguardas da década de 1920 _ responsáveis por tornar o cinema alemão conhecido mundialmente _, que passaram a ser consideradas como “arte degenerada”. Neste momento, os nazistas exerceram um forte controle sobre o cinema, fazendo com que muitos judeus, comunistas e pessoas consideradas “inimigas do Estado” fossem excluídos do meio cinematográfico e artístico da Alemanha (...)[3]”.

No Brasil, não foi diferente. É importante salientar, que no período da ditadura militar brasileira, vários artistas, intelectuais e políticos foram “convidados” a viver na clandestinagem e tendo suas obras artísticas “borradas”, censuradas, revisadas ou até mesmo reprovadas sendo classificada como imprópria para os paradigmas da época. Em contrapartida, surgiu no cenário internacionais e nacionais, novos” artistas (astros e estrelas) que glorificavam os regimes totalitários e endeusava a “figura de autoridade” do ditador, no caso do Brasil, o cantor Wilson Simonal, era suspeito de ter ligações com a ditadura militar e possuiu a fama de delator, ou seja “dedo duro”.

“(...) Durante a década de 1930, tanto o cinema alemão (...) produziram filmes dedicados aos seus líderes políticos, à imagem do “homem novo” e da “nova nação”. Na década de 1940 foram realizados filmes sobre os inimigos da nação e produção voltadas para o tema de guerra (...)[4]”.

A barbárie chegou à mídia: pelo rádio, pelo cinema e pela televisão e havia programa radialístico e televisivo que incentivava a exclusão, a discriminação, o preconceito e o extermínio e os alvos preferidos eram os judeus, os negros, os homossexuais, os ciganos, os deficientes físicos, as Testemunhas de Jeová, os ingleses, os russos, entre outros.

“(...) No caso alemão, Joseph Goebbels instruía os cineastas para que Fuhrer fosse apresentado como o “salvador da Alemanha”, um ser iluminado em cenários grandiosos. Cada aparição de Hitler era estruturada como uma grande peça teatral, cuidadosamente encenada para a câmera (...) Para os filmes históricos, o ministro da propaganda recomendou que os cineastas traçassem um paralelo entre Hitler e as grandes personagens históricas da Alemanha, tais como o rei Frederico II, Bismarck, Friedrich Schiller, Carl Peters, etc (...)[5]”.

Para encerrar esse fórum não podemos de deixar de abordar que o rádio, o cinema e a televisão no período dos regimes totalitários ao redor do mundo ajudou a construir a falsa ideia de “nova nação” e do “homem novo” fazendo com que as massas populares acreditassem fervorosamente nessa ideologia e que o povo alemão era superdotado, ou seja, se julgavam superiores aos demais povos que devia reverência e obediência e subordinação.

“(...) Os filmes nazistas afirmavam que as democracias ocidentais eram nações demoníacas que pretendiam destruir a Alemanha, por isso, os alemães viam-se obrigados a atacar primeiro (...)[6]”.



[1] Informação verbal (02/10/2012) transmitida pela Rádio Sul América Trânsito 92,1 FM.
[2] Artigo escrito por Wagner Pinheiro Pereira, doutorando em História Social (Depto. De História _ FFLCH – USP) e pesquisador vinculado ao Laboratório de Estudos sobre Intolerância – Universidade de São Paulo (LEI – USP).
[3] Ibidem, p. 4.
[4] Ibidem, p. 5.
[5] Ibidem, p. 6.
[6]  Ibidem, p. 7.

0 comentários:

Postar um comentário