04/01/2013

Década de 1950 _ A função de Produtos de Massas às Produções Artísticas


FÓRUM: Como a década de 50 consolidou uma função de produto de massa às produções artísticas?

 

A partir dos nossos estudos sobre o Brasil na década de 1950, descobrimos que Getúlio Vargas foi reeleito presidente com a promessa política, administrativa e econômica de tornar o país desenvolvido, industrializado e moderno, pois ele rotulava como o “pai dos pobres” e a historiografia como “populista”. Percebe-se, que Getúlio Vargas se aproveitou dessa estratégia política para implantar no Brasil de maneira indireta, ou seja, oculta um governo autoritário onde os cidadãos brasileiros tinham que respeitar ele como pai e obedecer à sua autoridade, pois todos eram considerados como filhos e súditos.

E importante mencionar, no entanto, que a promessa de Getúlio Vargas foi cumprida em relação à industrialização e modernização do país, haja vista que as massas populares abandonaram suas regiões de origem em direção das grandes cidades e metrópoles, em busca de um novo emprego, melhores salários, estudos e qualidade de vida, e a partir daí, o modo de vida (consumo e comportamento) da população começou a mudar gradativamente.

Vale lembrar que, a industrialização e modernização promoveram o desenvolvimento e a expansão dos meios de comunicação de massas no Brasil permitindo o acesso a todos os cidadãos, tanto no que se refere à informação quanto ao lazer e o rádio passou a fazer parte do cotidiano das pessoas, tornando-se um companheiro de todas as horas e um importante meio de informação e entretenimento.

 

“(...) o rádio exerceu forte influência na vida das pessoas, sendo capaz de criar modas, inovar estilos e inventar práticas cotidianas. Os diversos programas, como as radionovelas, programas de auditório, humorísticos, de variedades, de calouros e outros, fizeram tanto sucesso que marcaram profundamente a vida das pessoas, transformando-se em parte integrante do cotidiano. Além da divulgação de manifestações artísticas, mantinha as pessoas informadas e integradas, superando os limites físicos. O rádio trazia o mundo para dentro de casa (...) E continua presente em todos os meios, nas mais diversas situações. É utilizado como veículo de informação, lazer, denúncias e difusão  de uma ideologia  formadora de opiniões (...)[1]” .

 

De acordo com Yvonete Pedra Meneguel e Oséias de Oliveira, Getúlio Vargas passou a fazer uso desse meio de comunicação para difundir o projeto político – pedagógico do Estado Novo, repassando a imagem de uma sociedade unida e harmônica, sem divisões e conflitos sociais. Por meio de um programa oficial, “A Hora do Brasil” que deveria ser retransmitida por todas as emissoras do país, buscava-se difundir a informação, a cultura e o civismo, criando uma unidade nacional.

Ao conhecer a história dos primeiros tempos do rádio no Brasil e sua importância para a divulgação de uma ideologia, torna-se possível entender por que o poder público procurou, desde o início, manter sob o controle os meios de comunicação.

Não podemos esquecer-nos de mencionar neste fórum, que o cinema e o teatro tiveram um papel importante no desenvolvimento da produção cultural no Brasil que acabou sofrendo uma forte influência dos Estados Unidos em relação aos produtos da indústria cultural (cinematográfica, teatral, fonográfica, publicitária, etc.;), haja vista que o Brasil saiu na frente em relação aos Estados Unidos, com os filmes denominados de Chanchadas[2] nas décadas de 1950 e 1960 e seus atores e atrizes (Oscarito, Grande Otelo, Dercy Gonçalves, Mazzaropi, etc.) foram aplaudidos e consagrados pelo público e criticados pelos estudiosos do cinema brasileiro por considerar que esses filmes eram imorais, vulgares, totalmente desprovido de conteúdo e de inteligência e não seguia as tendências (supremacia / glamour) do cinema americano. O público sofisticado fazia pouco caso delas e a elite cultural às esconjurava.

Percebe-se que a elite burguesa dominante tinha uma forte resistência em relação às produções artísticas culturais oriundas das classes populares e com o objetivo de reverter este cenário, urge um esforço de elaborar um novo projeto de cultura que deve representar o lado mais polido, culto, educado e civilizado da sociedade brasileira e a partir daí, foi criado o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) _ companhia paulistana que importou diretores e técnicos da Itália para formar um grupo de alto nível e repertório sofisticado, solidificando a experiência moderna do teatro brasileiro.

Em 1950, foi fundado o Teatro Paulista de Estudantes (TPE) ligado a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP com a missão de romper barreiras e desafios políticos e extinguir os padrões convencionais da expressão teatral vigente à época e a partir daí, propõem encenação de peças teatrais que levasse o público a atentar para os problemas políticos, econômicos, sociais do país e os dramas humanos coletivos, ou seja, mostrar o Brasil como ele realmente é.

 

“(...) o espetáculo atraiu a atenção das pessoas para a encenação nacional, que expunha uma crítica a sua própria realidade social (...)”[3].

 

“(...) a vontade do novo trazia embutido, em várias áreas da cultura, o desejo de transformar a realidade de um país subdesenvolvido, de retirá-lo do atraso, de construir uma nação realmente independente (...)[4]”.

 

Antes de finalizar este fórum, é importante informar ao leitor que a década de 1950, ficou conhecida como “anos dourados”, pois foi nesse período em que se pensou em fazer um novo tipo: de programa de rádio, de cinema, de teatro, de música, de literatura, de arte _ completamente diferente feito, até então.

 

“(...) Por outro lado, o vigor do movimento cultural encontrava eco junto a setores das camadas médias urbanas em franca expansão, sobretudo universitárias, sintonizadas com o espírito nacionalista da época, e com a crença nas possibilidades de desenvolvimento do país (...)[5]”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



[1] Citação extraída do artigo “O rádio no Brasil: Do surgimento à década de 1940 a primeira emissora de rádio de Guarapuava” de Yvonete Pedra Meneguel, professora PDE, 1º edição, graduada em História pela Universidade Estadual do Centro-Oeste _ UNICENTRO (1993). Pós-Graduação em Ensino, Teoria e Produção do Conhecimento Histórico pela Universidade Estadual Centro-Oeste _UNICENTRO (1998) e Professor Dr. Oséias de Oliveira, Docente do Curso de Graduação de História da Universidade Centro- Oeste _ UNICENTRO, orientador do Programa de Desenvolvimento Educacional, PDE, 1º edição.
[2] Produções cinematográfica de humor que lotavam as salas de cinemas que escrachava com o subdesenvolvimento do país, fazendo dele motivo de gargalhada. No riso havia a catarse que fazia superar a autocomiseração nacional. Mas, sem dúvida, com poucos recursos, muitas vezes feitos às pressas e de forma improvisada, os filmes eram o reflexo da pobreza tecnológica e atraso geral do Brasil. Aos olhos dos críticos, eram muito mais: mostravam explicitamente a falta de cultura e de inteligência do país. Não obstante, muitos desses filmes satirizavam os costumes e a situação sócio-econômica e política, não podendo ser classificados como alienados ou alienantes. Como em muitas chanchadas, a impotência do brasileiro diante do colonizador havia inspirado o roteiro. Mas as frustrações de colonizado e, em particular nesta produção, o caos do governo de Getúlio, estavam implícitos em metáforas. Havia no filme algo mais que a simples intenção de provocar o riso e lotar os cinemas como era de se esperar numa chanchada. Por isso esta comédia ganhou certo respeito de críticos e estudiosos.
[3] Citação extraída do material disponibilizado pela professora Débora Maria M. Querido, no site da Universidade Gama Filho – UGF.
[4] Citação extraída do site http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/JK/artigos/Sociedade/Anos1950.
[5] Citação extraída do site http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/JK/artigos/Sociedade/Anos1950.
 

As diferenças entre a arte da década de 60 e 70 - Brasil


Acadêmico: Fabrício Oliveira
R.A: 71362
Curso: História e Cultura no Brasil
Disciplina: de Arte e Política: Cinema, Teatro e Música No Brasil
Professora: Débora Maria M. Querido

 

AVALIAÇÃO DISSERTATIVA: No que diz respeito à arte pedagógica em relação ao contexto político, comente as diferenças entre a arte da década de 60 e 70.

 

Fazendo a leitura do artigo “A Tropicália: Cultura e Política nos Anos 60” de Cláudio N. P. Coelho[1], foi possível entender que a década de 1960, revolucionou a produção artística no Brasil e no mundo produzindo um novo tipo de arte como: a Tropicália (Movimento Tropicalista[2]), a Jovem Guarda, a Bossa Nova, etc; que conquistou espaço na imprensa, no rádio e principalmente, na televisão brasileira.

 

“(...) nos anos 60 o pensamento de esquerda exerceu um forte influência sobre a produção cultural (...)[3]”.

 

Não podemos esquecer-nos de mencionar que na década 60, o Brasil sofreu intervenção militar (Golpe Militar / 1964) e o endurecimento do regime em dezembro de 1968 que tinha a missão de aterrorizar a sociedade civil de modo geral e exterminar qualquer tipo de idéia que fosse contrária ao governo imposto no país e por isso foi criado o AI-5, mas mesmo assim, existiram brasileiros (parlamentares, ativistas, sindicalistas, intelectuais, professores, estudantes, religiosos, artistas, etc;) que conseguiram superar seus medos, traumas, angústias, traições e decepções e não abandonaram suas razões ideológicas (políticas, sociais, educacionais, culturais, etc.) em prol de um Brasil democrático e onde qualquer espécie de “ditadura”, “repressão” e “censura” fosse abolido, pois acreditava-se que causava um mal estar na sociedade brasileira. Vale lembrar que, o teatro, o cinema, a música não se intimidou com as atrocidades cometidas pela ditadura militar e continuo driblando a repressão e a censura imposta e realizando uma arte de esquerda, contrária e engajada[4] que conscientiza os cidadãos brasileiros da política que está sendo implantada de norte a sul do país, e denunciar a realidade autoritária e repressora.

De acordo com as idéias de Cláudio N. P. Coelho, o tropicalismo rompeu com os velhos paradigmas da esquerda é por essa razão, mostrou-se contrária à produção tropicalista.

 

“(...) Essas novas produções se diferenciavam das artes da esquerda, pois não expressavam uma superação histórica, nem exaltavam a luta como forma de redenção, mas apenas retratavam a realidade brasileira como um alegre absurdo, com sons e formas diferentes, priorizando o sentir (...)[5]”.

 

“(...) O mais famoso dos confrontos esquerda X tropicalistas deu-se em setembro de 1968 no auditório do TUCA em São Paulo, quando as eliminatórias do Festival Internacional da Canção (FIC) promovido pela TV Globo. Ali Caetano Veloso foi praticamente impedido de cantar “É Proibido Proibir”, devido às vaias e gritos de militantes de esquerda situados na platéia, e respondeu com um discurso onde comparou esses militantes com os fascistas do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), que havia espancado os atores da peça “Roda Viva” de Chico Buarque de Hollanda, afirmando, também, que eles estavam ultrapassados, que iriam “sempre matar o amanhã o velhote inimigo que morreu ontem”, e que suas concepções artísticas prenunciavam posições políticas perigosas: “Se vocês em política forem como são em estética, estamos feitos! (...)[6]”.

 

Outro fator que chama nossa atenção em nossos estudos foi quando nós nos deparamos com o confronto entre a esquerda e com os músicos da Jovem Guarda (artistas alienados), pois para a esquerda Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa só cantam músicas de experiência alheias (ao universo da esquerda) _ conflitos sentimentais, passeios automobilísticos, etc; utilizando formas artísticas execradas por ela _ o rock _ inspirado no gênero americano. Na concepção da esquerda, os tropicalistas eram uma espécie de “agentes do inimigo” infiltrados para destruir por dentro, o “movimento revolucionário”.

Neste momento os estudantes e universitários entram em cena e eclode um grito no ar em prol da: democracia, liberdade (individual, coletiva e de expressão), justiça, da solidariedade, generosidade, dignidade, cidadania, igualdade de oportunidades, respeito às diferenças, etc; _ e em virtude disso, vários cidadãos brasileiros foram “convidados” a viver na ilegalidade e na clandestinagem, para salvar suas próprias vidas e não ser eliminados rapidamente pelo regime.

É importante esclarecer, portanto, que nem todos os indivíduos, pertencentes à esquerda política do Brasil viam os tropicalistas como “traidores” e “contrários” a revolução, haja vista que o tropicalismo denunciou através de sua arte uma nação confusa, injusta e engraçada que almejava por transformações urgentemente.

A década de 1960 foi marcada pelo movimento Hippie que defendia as idéias de liberdade sexual, do amor livre, da paz universal, de liberdade, da liberação do uso do álcool e de outras drogas, do rock e com o rompimento das tradições arcaicas e conservadoras que impregnavam na sociedade.

Assistindo o vídeo “Anos 70: Trajetórias _ Panorama Histórico Brasileiro” no You Tube, vimos que o Brasil viveu neste momento histórico o período mais sombrio da ditadura militar, marcado por presidentes militares e não civis onde os brasileiros foram caçados e torturados como animais, exilados de sua terra natal (Brasil), impedidos de exercerem suas profissões _ infelizmente, não temos números exatos e com precisão de quantas pessoas foram perseguidas pelo regime, haja vista que a censura se faz presente em todos os segmentos da sociedade “cenas de filmes, versos de músicas, notícias de jornais, peças de teatro e livros eram mutilados, cortados às vezes de forma incompreensível _ nos jornais muitas notícias eram censuradas como protesto o jornal Estado de São Paulo publicou versos dos Lusíadas para preencher os espaços vazios”.

Neste período vale elucidar que diversas produções artísticas e culturais foram censuradas como a peça de teatro “Rasga Coração” de Oduvaldo Vianna Filho, a primeira versão da novela “Roque Santeiro” de Dias Gomes. Segundo Celso Favaretto[7], vários artistas faziam versos, livros e cinema e eram “cortados” pela censura, mas através da linguagem figurada (metafórica / alusiva) driblavam a censura e transmitia e reproduzia suas ideologias políticas e culturais, pois todos encontravam na “corda bamba” com a ditadura militar.

Percebe-se que a televisão passou a ser o eletrodoméstico mais consumido entre os brasileiros. Incentivava os brasileiros a mudar os padrões de comportamento e suas próprias atitudes e a partir daí, a cultura começa a ser pensada como cultura de mercado que leva os indivíduos a ter a necessidade artificial de consumir cada vez mais.

Nesta época o rock ganha força embalado ao som de Raul Seixas, Novos Baianos, Secos e Molhados, Clube da Esquina e Rita Lee e o samba consegue novamente espaço entre outras esferas da nossa sociedade na voz de Cartola, Lupicínio Rodrigues, Adoniram Barbosa. Vários artistas que foram presos e depois exilados na década de 60 retornam ao Brasil e fazem grande sucesso entre o público e produzem novos discos.

Não podemos deixar de abordar que a ditadura militar criou diversas estratégias, para sabotar shows, espetáculos e as produções artísticas de modo geral. A Rede Globo passou a liderar o ranking das emissoras de televisão do país inovando sua grade de programação e na forma de informar e entreter o telespectador sem se opor a dinâmica do regime militar



[1] Doutorando do Programa de Pós _ Graduação do Departamento de Sociologia, FFLCH _ USP. Disponível em: www.fflch.usp.br/sociologia/temposocial/pdf/vol01n2a%tropicalia.pdf _ Tempo Social; Ver. Social. USP, S. Paulo, volume I.
[2] Denominação atribuída a manifestações artísticas espalhadas por diferentes ramos da produção cultural, como as artes plásticas _ com os trabalhos de Hélio Oiticica _, o cinema _ com as obras de Glauber Rocha _ ou o teatro _ com as peças dirigidas por José Celso Martinez. Música Popular Brasileira; onde se destacaram _ dentre outros _ os cantores e compositores como Caetano Veloso e Gilberto Gil.
[3] Citação extraída do artigo A Tropicália: Cultura e Política nos Anos 60”.
[4] Arte engajada: obra artística deve ter por referente à “realidade brasileira”, ser o reflexo da situação vivida pelo “povo brasileiro”; do contrário, se for à expressão da subjetividade do artista, por exemplo, será uma obra alienada, que “desvia” o povo da tomada de consciência dos seus interesses, dificultando sua participação na Revolução.
[5] Citação extraída do material disponibilizado para download pela professora Débora Maria M. Querido, no site da Universidade Gama Filho _ UGF.
[6] Citação extraída do artigo “A Tropicália: Cultura e Política nos Anos 60”.
 
[7] Professor do programa de Pós-Graduação em Filosofia da FFLCH-USP.

15/11/2012

Neutralidade do Historiador

AVALIAÇÃO DISSERTATIVA: Discuta a questão da neutralidade do historiador.


A historiadora Joelza Ester Domingues[1] (2009) defende a ideia que o historiador busca conhecer e explicar o passado para compreender o presente e transformar o futuro. E em hipótese alguma, pode considerar o “dono da verdade”, pois está comprovado cientificamente que os fatos podem ser explicados de diferentes maneiras e que o historiador é, portanto um investigador (detetive) e qualquer assunto do domínio humano podem servir de tema para sua pesquisa este deve ser um trabalho interdisciplinar, haja vista que não há uma verdade única dos fatos e também não existe uma História única. Existem Histórias, no plural.
E importante mencionar, no entanto, que devido ao fato de não termos uma explicação única, para o mesmo tema / assunto _ o mesmo poderá ser explicado por múltiplo viés, podendo ser utilizados outros documentos e outras abordagens que não foram aplicados nos estudos anteriores, e a partir daí, chega-se a outra versão ou interpretação. Mas no século XVIII, não se pensava dessa forma, pois o Positivismo elaborado por Auguste Comte defendia a idéia que os métodos (sintéticos) adotados nas ciências naturais (Biologia) que analisava a sociedade como um todo também deve ser aplicados nas ciências humanas, que deveria abarcar a totalidade da história humana visando desta forma, a obtenção de resultados claros, objetivos, e completamente corretos _ “a sociedade teria que sair do seu ponto menor de desenvolvimento e todas elas, sem exceção, deveriam caminhar para o maior ponto de desenvolvimento, ou seja, a sociedade européia industrial”.
Vale ressaltar que, os pensadores positivistas acreditavam no argumento da neutralidade, ou seja, na separação entre o sujeito e o objeto, entre o autor e sua obra e com isso, o homem (historiador, sociólogo, filósofo, pesquisador, cientista, etc;) não teria a capacidade suficiente e nem o poder para alterar os resultados do processo social o máximo que ele poderia fazer era acelerar (catalisar) esse processo (acelerar a fatalidade) não podendo em hipótese alguma, alterar o resultado. Como por exemplo, podemos citar o aceleramento rumo a um modelo de uma sociedade industrial nos moldes da Europa onde a “ordem” natural da evolução deve ser aceita e respeitada pelos indivíduos.
Nessa proposta, o historiador deve ser um “agente passivo”, ou seja, neutro e não deve aceitar a idéia e nem propor uma “revolução” na História e na sociedade e não pode concordar com supostas mudanças drástica no estudo de História e nem com a participação das massas populares na construção da História. O historiador deve defender a plataforma política da “Ordem e do Progresso” _ partir de um ponto negativo para um ponto positivo e contribuir para o desenvolvimento de uma ciência social.

“(...) A obra em vez de mostrar as opiniões e julgamentos de seu autor, retrataria de forma neutra e clara uma dada realidade a partir de seus fatos, mas sem analisar (...)[2]”.

Percebe-se que foi imposto uma “ditadura” e uma “censura” em relação ao trabalho do historiador que ficou à mercê do discurso político e educacional do período vigente e impossibilitado de emitir qualquer opinião, pois acreditava-se que suposta prática pode alterar o sentido e a verdade própria dos fatos e modificar  a História colocando os “heróis”, criados pela historiografia tradicional, conservadora, ultrapassada, positivista, etc; no calabouço do esquecimento e dando a possibilidade dos grupos sociais  menos favorecidos de deixarem de ser “figurantes” se tornar “atores principais” da História.

“(...) era preciso acertar os fatos para somente depois correr o risco de “mergulhar nas areias movediças da interpretação (...)[3]”.

Fica explícito que a neutralidade não permite com que o historiador intervenha no processo e na análise e de sua pesquisa científica e que deve apenas dar ênfase no estudo dos documentos que narravam os grandes acontecimentos, à história política e institucional, a vida e os efeitos dos grandes homens, das grandes batalhas, etc.

“(...) A principal habilidade do historiador era tirar tudo do documento, sem acrescentar nada nele. O melhor historiador era o que se mantinha mais perto que se mantinha mais perto do texto que escrevia e pensava segundo os documentos (...)[4]”.


[1] Mestre em História Social pela PUC _ SP, Bacharel em História pela FFLCH _ USP e Licenciada em História pela Faculdade de Educação _ USP e autora do livro didático do Ensino Fundamental II “História em Documento _Imagem e Texto”, adotado pelos professores de História da Escola Estadual João Baptista de Oliveira, Itapecerica da Serra – SP.

[2] Citação retirada do artigo de Paulo César Tomaz, graduado em História pela Universidade Estadual de Maringá e mestrando do PPH _ UEM, orientado pela professora Sandra C. A. Pelegrini (pós – doutoranda pelo NEE / Unicamp. Docente do DHI _ UEM/PR).
[3] Ibidem, p. 2.
[4] Ibidem, p. 2.

Linguagens Artísticas

AVALIAÇÃO DISSERTATIVA: Discuta a questão das linguagens artísticas como fonte de pesquisa para o historiador.


Fazendo a leitura do material disponibilizado pela professora Mariana Canavezi De Vitta aprendemos que as linguagens artísticas são representadas pela música, dança, teatro, coreografia, artes (visuais, plásticas) e, portanto, serve de fonte de estudo e análises investigativas para o trabalho do historiador, pois a vida se faz presente na Arte.
É importante evidenciar que as linguagens artísticas podem ajudar os historiadores a fazer uma reflexão acerca da vida cotidiana e as produções de diferentes culturas, etnias e épocas e ampliar sua visão (conhecimento) sobre a cultura (nacional, local, regional, internacional) e as heranças culturais da humanidade e levá-lo a refletir como os diferentes artistas materializaram suas idéias com a finalidade de criticar a sociedade. Além disso, há que se levar em conta que os historiadores utilizam as linguagens artísticas como um recurso metodológico para verificar as dinâmicas, ou seja, as estruturas (administrativas, políticas, econômicas, sociais, educacionais, culturais, etc;) do mundo contemporâneo, e a sua farta variedade em suas formas de expressão e a partir daí, romper com a apresentação de um mundo perfeito, reconciliado e sem contradição _ aparência de totalidade harmônica e orgânica.
Com isso, deve-se ressaltar que as linguagens artísticas podem ser empregadas de forma errônea como mecanismo para ludibriar os indivíduos e propagar entre nós a ideologia que os dominadores em geral são bons, e fundamental para o desenvolvimento da humanidade de forma global e que não pisoteiam, humilham e escravizam os “vencidos” _mortos, caídos aos seus poderes e a “seus pés”, esquecidos pelo historicismo.
Nesse contexto, o historiador deve apoderar-se das linguagens artísticas como “instrumento” que possa permitir outra história vir à tona e instigar os cidadãos acerca da experiência humana e, para isto, é importante incentivar o hábito de leitura de textos jornalísticos, documentos em geral, como análise: de partitura de músicas, filmes, fotografias, gravuras, quadros, telas, esculturas, peça de teatro, cena de novela, enfim, diversos acervos tantos escritos como visuais, pois todos transmitem linguagens artísticas, que pode contribuir no trabalho dos historiadores e ajudar a romper com práticas históricas ultrapassadas e concepções historiográficas tradicionais ainda presente no estudo e na pesquisa histórica.


07/11/2012

As ideias do pensador Walter Benjamin

FÓRUM: Analise a contribuição de Walter Benjamin para a historiografia.


Fazendo a leitura do artigo “As outras cores da modernidade em Walter Benjamin[1]” descobrimos que esse pensador teve uma atitude audaciosa quando propôs a criação de novas estratégias com o intuito que o historiador pudesse escrever uma “nova” História e observar o mundo sob outra ótica, dando ênfase ao contexto social, político, cultural e na sua própria experiência de vida e acadêmica.
No decorrer dos estudos, percebemos que Walter Benjamin não foi um pensador que conseguiu muitos créditos perante a academia, pois suas teorias eram consideradas ameaçadoras e modernas para os padrões da época, outro fator que prejudicou o seu desempenho foi pelo fato de ser judeu. Vale mencionar que Walter Benjamin influenciou a produção historiográfica contemporânea ao resolver defender um estudo pautado pela análise dos grupos sociais menos favorecidos, haja vista que a cultura imposta pelo dominador pode ser vista como uma barbárie sobre o dominado.
Walter Benjamin nos mostra como é possível realizar um estudo historiográfico a partir da análise da macro e micro-história para denunciar as mazelas sociais do cotidiano e desmascarar as ideologias positivistas que imperava no estudo de História e aconselha os historiadores a realizar uma pesquisa de “caráter interdisciplinar” e ir ao encontro dos excluídos da história e do “mundo underground”.

“(...) proporcionar interações entre as áreas do conhecimento não empobrece a seriedade dos trabalhos de pesquisa, ao contrário, os torna suscetíveis a novas formas de perceber a tão complexa teia histórica (...)[2]”.

“(...) A história vista por esse ângulo não é mais um amontoado de fatos duros e silenciosos, é uma história dinâmica e subjetiva (...)[3]”.

É possível perceber, a partir das idéias de Walter Benjamin, que para ele a história não era algo fechado, pronto e acabado e que podemos utilizar a Arte como uma “ferramenta” para auxiliar a evidenciar as questões sociais em determinado período e ler a mentalidade de uma determinada época, sendo uma “outra forma” de contar a História.

“(...) Walter Benjamin percebeu as cores que por vezes eram apagadas pela cortina cinza das formas conservadoras de interligar a dinâmica da Modernidade. Seu olhar lhe permitiu ver as nuances que os intervalos cromáticos modernos lhe apresentavam. Para ele as coisas não se limitavam ao preto ou ao branco, ao certo ou ao errado, ao sensível ou ao invisível, ao materialismo ou à teologia, ao cotidiano ou às grandes correntes de pensamento, enfim, Benjamin se propôs a ver o período moderno longe de uma perspectiva bipolar ou maniqueísta. Ele travou diálogos importantes em campos outrora tidos como antagônicos. Transitou por entre as mais diversas fronteiras cognitivas e isso não levou a vestir a roupagem limitante de um enquadramento numa corrente intelectual (...)[4]”.

A partir de tudo que foi exposto, neste fórum, e de uma experiência pessoal podemos concluir que grande maioria dos universitários que concluem o curso de História, saem da universidade sem ter nenhum conhecimento prévio, sobre as idéias (teses) defendidas por Walter Benjamin e que há um déficit de aprendizagem em relação a este conteúdo na formação teórica e prática dos futuros professores. Walter Benjamin contribuiu para o aperfeiçoamento da ciência histórica (historiografia) e para o avanço da pesquisa científica _ “o que reflete não um rompimento ou uma postura maniqueísta entre os setores de pesquisa, mas uma interação”.


[1] Autora do artigo Camila Pereira, licenciada em História pela Universidade Estadual de Goiás – UEG, cursando atualmente o mestrado em História na Universidade de Brasília – UNB _ área de concentração História Cultural. Foi professora no curso de História da Universidade Estadual de Goiás – UEG _ campus de Formosa e ministra diversas disciplinas na modalidade EAD na Universidade de Brasília _ UNB, inclusive na pós-graduação.
[2] Ibidem, p. 67.
[3] Ibidem, p. 70.
[4] Ibidem, p. 74

04/11/2012

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Governo Getúlio Vargas

AVALIAÇÃO DISSERTATIVA: Comente, a partir do fragmento abaixo, de que forma o governo de Getúlio Vargas forjou a legitimidade de seu governo a partir do prisma da sociedade de massas:
"para convencer as multidões é necessário, em primeiro lugar, perceber quais os sentimentos que as movem, fingir partilhá-los também e, depois, tentar modificá-los ou conduzi-los suscitando certas imagens por meio de associações mentais rudimentares" (LE BON, 1895).

De acordo com o historiador Boris Fausto, Getúlio Vargas chegou ao poder tendo o uso de sua imagem (figura) associada a um ícone centralizador, modernizador e com tendências autoritárias / totalitárias e mesmo assim, conseguiu ficar no poder durante quinze anos ininterruptos (1930-1945), período da História do Brasil que ficou conhecido como a “Era Vargas”.
Nesse período, de quinze anos no poder Getúlio Vargas enfrentou diversos problemas tanto de ordem interna[1] (das forças que o apoiaram) e externa[2] (da oposição). Vale frisar que, todos os problemas políticos, enfrentados na administração de Getúlio Vargas acarretaram na Revolução Constitucionalista de 32 (luta armada do Estado de São Paulo contra o governo federal) onde ao término desse confronto o governo saiu vitorioso. A revolução tinha como principal foco colocar um fim na “ditadura” _ Governo Provisório estabelecido por Getúlio Vargas e imediatamente convocar uma Assembléia Constituinte para aprovar uma nova Constituição inteiramente nova e implantar o regime democrático.
Boris Fausto, afirma que a Revolução de 1932 foi derrotada pela armas, mas mostrou para a nação a necessidade de garantir uma forma legal, para o país e diante das circunstâncias difíceis o governo provisório de Getúlio Vargas, foi tragicamente interrompido.
Imediatamente Getúlio Vargas convocou eleições para ser realizada uma Assembléia Constituinte (1933) que acabou aprovando a Constituição de 1934 a segunda Constituição da República do Brasil que alterou as condições de vida do trabalhador, fazendo valer os seus direitos a nível nacional, instituiu-se o voto secreto entre outras importantes medidas.
Getúlio Vargas novamente voltou ao poder sendo eleito por voto indireto. O país avançou rumo à industrialização pós 30, em relação a outros países, pois o projeto está se concretizando e a nação necessitava urgentemente de mão-de-obra “barata” e “qualificada” para dar andamento no processo de industrialização.
Visando ter o apreço do povo Getúlio Vargas, lançou uma campanha educativa que priorizava um ensino técnico- profissionalizante, melhores condições de ensino e a padronização do mesmo nos níveis secundário e universitário.
Nas entrelinhas da história, percebemos que essa plataforma política adotada por Getúlio Vargas, era uma maneira de ter os indivíduos a seu favor _dizendo “amém” e “sim” ao seu projeto político, haja vista que ele utilizou de várias estratégias autoritárias para que os trabalhadores não se organizassem em sindicatos. Getúlio Vargas foi um Presidente da República que possuía uma visão política e não foi em vão que apoiou movimentos sociais como o Integralismo (direita) que era inspirado no fascismo italiano e tinha como líder Plínio Salgado _ nacionalista, totalitário e contrário as liberdades democráticas e acreditava em um regime sustentado por um único partido sendo assim, apoiaram Getúlio Vargas na expectativa de alcançar o poder, porém foi traído e marginalizado até o golpe do Estado Novo.
Já os comunistas bateram de frente e era oposição ao governo de Getúlio Vargas e desejavam por reformas sociais de imediato.
Para barrar o avanço comunista pelo país, Vargas aplicou uma repressão e colocou-os na ilegalidade com receio de uma tentativa de golpe Getúlio Vargas, fechou o cerco político e a partir daí, estabeleceu em todo o país um processo de repressão para implantar um regime totalitário através de um golpe (do Estado Novo) este que foi instaurado sem resistência e oposição. Automaticamente o congresso foi fechado às eleições e os partidos foram extintos e a liberdade de expressão foi sepultada junto com tudo aquilo que era considerado nocivo ao governo e a sociedade.
Getúlio Vargas se intitulou como chefe supremo da nação e para evitar qualquer tipo de conflito com a população propagou a idéia que ele era o melhor para o país e que iria governar em prol do povo, e por isso classificou-se como o “grande pai do Brasil”.
Não podemos negar que Getúlio Vargas foi um estrategista que utilizou uma variedade de recursos (rádio / televisão / cinema / teatro) para divulgar suas idéias, suas realizações políticas para conquistar os cidadãos brasileiros emocionalmente e psicologicamente e se transformar em figura popular.
Visando evitar ondas de rebelião contra o Estado Novo, Getúlio Vargas submeteu os meios de comunicação a uma censura previa, pois era preciso impedir a divulgação de qualquer informação contra o governo e a imagem do presidente que pudessem levar os indivíduos a pensar e ter uma consciência crítica, construtiva e reflexiva. Foi criado o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) que fiscalizava os jornais brasileiros oposicionistas (agentes da desordem) e incentivava os meios de comunicação que apoiassem as ações e as façanhas do governo.
A entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, em 1942, contra as forças (fascistas e nazistas) da Itália e da Alemanha criou um conflito interno no Brasil ainda mais quando o país decidiu apoiar os Estados Unidos que era uma nação democrática, haja vista que o Estado Novo era autoritário e totalitário.
A partir daí, a idéia de democracia renascem na mentalidade dos brasileiros e aos poucos, os jornais vão manifestando a sua insatisfação; em suas páginas recomeça a discussão sobre os problemas nacionais. As caricaturas passaram a ser utilizadas para representar o sentimento popular contra a ditadura de Vargas.
Com o término do conflito em 1945, as pressões pela redemocratização ficaram mais forte. Apesar de algumas medidas tomadas, como a definição de uma data para as eleições, a anistia, a liberdade de organização partidária e o compromisso de eleição de uma nova Assembléia Constituinte, Vargas é deposto em 29 de outubro de 1945 por um movimento militar liderado por generais que compunham seu próprio ministério e havia ajudado a chegar ao poder.

[1] Conflito político do governo de Getúlio Vargas com os tenentes que acabou destabilizando o governo onde alguns tenentes deserdaram do exército e outros se integraram em determinados movimentos radicais.
[2] Os problemas externos vinham das elites regionais nos Estados que não apoiaram e não aceitaram a gestão centralizadora determinada por Getúlio Vargas.